Rubrica: Gravidez - ''Sonhos'' Parte 1
A nossa leitora Rute Louro decidiu partilhar a sua história.
Sou uma pessoa sonhadora por natureza, sonho muito ( a dormir também mas desta vez falaremos apenas de sonhar conscientemente, com os olhos bem abertos e os neurónios a funcionar a todo o gás).
Um dos maiores sonhos da minha vida, talvez desde que brincava com nenucos e barriguitas, sempre foi vir a ser mãe. Fascinava-me todo o mecanismo fisiológico do desenvolvimento de uma nova vida no interior de uma mulher, sem que , muitas vezes, esta se apercebesse de imediato de todo o frenesim por que estava a passar. Depois de passar por duas gravidezes, o fascínio ainda se mantém.
Hoje tenho 37 anos, dois filhos lindos e maravilhosos que são tudo o que sonhei e muito mais, são o orgulho da minha vida e o que deixo de melhor neste mundo.
11 de Janeiro de 2007
Dia de referendo nacional sobre o aborto. Enquanto a população portuguesa decidia sobre a legalização do aborto até às 10 semanas, eu descobria, com um simples teste de gravidez, que o frenesim já havia começado à cerca de 4 semanas.
Era mesmo verdade, eu estava grávida pela primeira vez, depois de apenas 2 meses de tentativas.
Foi uma gravidez tranquila, poucos enjoos durante pouco tempo, imensa energia, trabalho em fábrica quase até ao fim da gravidez, muita emoção, muita alegria, barriga grande e pés gigantes de inchaço, devido ao calor de um verão com temperaturas altas.
17 de Outubro, 39 semanas e 5 dias, 6 da manhã, águas rebentadas ( que dilúvio, meu deus), nadica de nada de dores, um bom banho com muita calma, pegar nas malas e rumo ao hospital para conhecer a minha princesa ( ainda não tinha dito, não é verdade? Vem aí a Catarina ).
Admissão no hospital pelas 7 e picos, ctg, toque e raspanete por ter ido para o hospital ter um bebé sem tomar o pequeno almoço ( sim, eu sei, é mesmo defeito de fabrico que se mantém até hoje ).
Uma box só para mim, acompanhamento constante do meu querido marido, que se portou lindamente e à altura, mesmo quando quase ficou sem circulação na mão que eu apertava com uma força de Hulk e até mesmo quando teve de amparar o meu conteúdo estomacal, oferecido pelo hospital,que teimou em inverter o sentido, depois de uma epidural que não fez mais nada a não ser pôr-me imensamente mal disposta.
As dores, ui, as dores…
Nem tenho palavras para as descrever e, de facto, nem é muito importante.
Já sabemos que vai doer, se a bendita epidural não chegar a tempo ou não funcionar, como no meu caso. Já sabemos que o bebé tem de nascer, por isso aguenta e aceita que ( talvez, muito hipoteticamente) talvez doa menos.
A minha sorte é que foram apenas 4 horas de sofrimento e apenas 4 puxões para ter a minha princesa nos braços, com 3,980 kg e 51,5 cm.
O pai, o meu querido marido, que se portou tão bem, não cortou o cordão umbilical e só mais tarde soubemos porquê. Na verdade, houve um momento muito tenso , do qual não nos apercebemos porque a equipa de enfermeiras parteiras, de um profissionalismo e de uma sensibilidade que merecem ser louvados, resolveram um cordão umbilical com duas voltas no pescoço da linda Catarina de uma forma rápida e eficaz, salvando a sua doce vida e proporcionando que hoje esteja cá sem sequelas. Muito obrigado a elas, de coração !
As dores, essas passaram todas de uma assentada, só de olhar para a carinha rechonchuda, boquinha perfeita, cabelo escuro e encaracolado, olhinhos claros e choro vigorosa da minha « NINA ».
Mais tarde vieram outras mas isso é outra pregação.
O meu fascínio só aumentou depois de ter eu mesma esta experiência porque, quer acreditemos em Deus, quer acreditemos na natureza ou em nada , fica ao nosso critério, gerar uma vida é mesmo um milagre, que vai para além do sonho mais excêntrico que existir.
Mãe da Catarina e do Guilherme ( próximos capítulos)
Rute Louro.
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